- conquistar novos públicos

Saliente-se, em primeiro lugar, um comportamento geracional muito diferente.

Vários estudos revelam que os mais jovens, pertencentes à geração digital (a Geração Y e já se fala da Geração C)  procuram e trocam informação, predominantemente, através de meios electrónicos. 

Os jornais não fazem parte do seu quotidiano e a rádio ocupa um espaço cada vez menor. 
Em vez de procurarem uma notícia num órgão de comunicação social, fazem pesquisa num motor de busca. Muitas das notícias a que acedem são divulgadas em páginas pessoais de amigos. 
É mais fácil comunicar com os amigos através de SMS, Facebook ou do Messenger do que escrever um documento sobre o mesmo assunto.
Estudos recentes revelam que passam mais tempo a navegar em redes sociais do que a consultar o e-mail ou a visitar sites noticiosos.
Segundo Reuters Institute Digital Report 2012 é muito significativo o numero de pessoas que acedem às notícias através das redes sociais: 20 por cento. Especialmente os jovens e utilizadores de tablets. Este estudo revela ainda que nos mais novos, o peso da pesquisa é inferior ao das redes sociais. 25% utiliza os motores de busca enquanto 43% anda nas redes sociais. Por outro lado, o peso é ainda maior entre os sites que não têm uma forte marca no meio digital. Se a marca é forte, é maior o numero dos que acedem directamente. Se a marca não é tão conhecida, tem grande impacto o acesso através dos motores de pesquisa e das redes sociais.
Este processo tem um peso igualmente relevante na partilha de noticias. Segundo o mesmo estudo do Reuters Institute, 55% dos utlizadores partilham notícias no Facebook; 33% através de e-mail e 23% no Twitter.


Um leitor tradicional de jornais mantém-se fiel a um título durante vários anos. Ao contrário, os mais jovens percorrem o que é novo e o que está na moda.
O leitor habitual de um jornal discorre pelas páginas, lê na totalidade algumas notícias. A geração digital faz o “varrimento” dos textos, troca informação através de frases curtas e o acesso imediato é um imperativo.
Refira-se ainda a linguagem, expressões – LOL -, símbolo :) e funcionalidades como, p. ex. as hashtags do Twitter, que fazem parte do discurso global destas redes sociais.

Quando se pretende conquistar novos utilizadores, produzindo conteúdos para essas redes, deve-se ter ainda em conta que o processo é aberto. Pessoal, interactivo e, preferencialmente, sem formalismos.

Os media tradicionais, organizações não governamentais, empresas, sindicatos, partidos políticos ... procuram aqui pessoas, audiência, que, de outra forma não conseguiam contactar.
Esta situação é mais notória em comunicação política. 

Em 1996, Bill Clinton inovou no recurso ao e-mail.
Em 2008, todos os candidatos às eleições primárias, para a presidência, todos eles, tinham páginas no Facebook, Flickr, MySpace e Youtube.
 Barack Obama soube tirar partido destas redes sociais mas, nem todos são casos de sucesso.

Meses depois das eleições nos EUA, o Twitter massificou-se e, p. ex., nas eleições Europeias de 2009, em Portugal, todos os partidos políticos e muitos candidatos e dirigentes partidários, tinham uma conta no Twitter que era usada com grande frequência. O mesmo se passou com muitos jornalistas e órgãos de comunicação social. Estes media destacam as principais notícias e, alguns, usam o Twttter como uma ferramenta para reportagens de eventos que exigem uma actualização permanente.
O Parlamento Global recorre a este método para o acompanhamento de debates no Parlamento.
O Sapo e outros meios fizeram uso da mesma ferramenta quando de audições parlamentares e, por exemplo, no acompanhamento das noites eleitorais. O conteúdo aparece no Twitter e também na web, nos sites noticiosos.
Após o Twitter, a novidade foi o Facebook que ganhou também uma larga adesão de organizações políticas e dos meios de comunicação social.

A partilha de conteúdos multiplica-se por muitas outras redes e suportes: texto, vídeo e fotos. Mesmo a título individual. É o caso de jornalistas especializados ou gestores de áreas temáticas que, através deste processo, pretendem desenvolver comunidades de discussão.

Para se ter uma melhor percepção da forma como os meios de comunicação social tradicionais estão a tirar partido das redes sociais, veja-se o relatório de um estudo, em Espanha, 'Informe 2010 Medios de comunicación españoles en las redes sociales', feito pelo Gabinete de Análisis Demoscópico (GAD) sobre a audiência dos 47 principais órgãos de comunicação social espanhóis nas redes sociais e a forma como é feita a interacção:
- 1.4 milhões de pessoas seguem as principais estações de televisão, rádios e imprensa espanhóis através das redes sociais.

- 720 mil pessoas seguem um destes meios no Facebook, 665 mil no Twitter e 92 mil no Youtube.

- As cadeias de televisão posicionam-se essencialmente no You Tube onde têm quase 90 mil subscritores fixos.

- Ainda segundo o Gabinete de Análisis Demoscópico a rádio é o meio que melhor se adaptou ao Facebook com 335 mil seguidores. O motivo deve-se às características do Facebook que “é especialmente adequado para manter a cumplicidade do meio rádio na Internet, criando verdadeiras comunidades que partilham a sua afeição ao mesmo programa de rádio”.

- A imprensa é o que está melhor posicionado no Twitter, com mais de meio milhão de seguidores. Esta adesão deve-se às edições digitais da imprensa que retransmitem muitas destas mensagens em processos como campanhas eleitorais, eventos desportivos ou manifestações.

Praticamente na mesma altura, em Portugal, 21 dos principais órgãos de comunicação social tradicionais tinham 536,896 subscritores em três redes sociais: Facebook, Twitter e You Tube. A distribuição por cada uma destas redes era a seguinte: Facebook: 395.948; Twitter 128.874 e You Tube 12,074. Sublinhe-se que apenas quatros desses órgãos de comunicação tinham presença no You Tube.
O Top Global: Antena3: 73,906; Rádio Comercial: 68,557; Público: 67,599; Diário Notícias: 41,585; TSF: 34.849; RTP: 36,713; Expresso: 28,773; Sol: 24,344; SIC: 20,807; Jornal Notícias: 19,061; Sic Radical: 19,378; Sic Notícias: 19,219; A Bola  18.381; Record 12.808; Correio Manhã: 11,976; I 10,566; Antena1: 9,505; TVI24: 5,598; TVI: 4,910; Antena2: 4,492 e O Jogo 3.851.
Individualmente, os valores mais elevados eram da Rádio Comercial (66.905) e da Antena3 (66.000), ambos os casos no Facebook. Para se ter uma ideia relativa destes valores, saliente-se que, cada uma destas rádios tem mais subscritores do que a tiragem diária de muitos jornais portugueses. Dois anos depois, a Rádio  Comercial saltou para 525 000 e a Antena3 para 204 000.

 

Ver ainda:
- New York Times: social media