Redes Sociais

As redes sociais são uma importante fonte de informação e uma excelente oportunidade para conquistar mais e novos leitores. Veja-se o estudo da ERC realizado em 2014 que revela a maioria dos portugueses que usam a internet consulta notícias nas redes sociais, em especial no Facebook.
Por outro lado é um meio muito relevante para criar "eco" em relação a alguns conteúdos produzidos pelos media e uma importante ferramenta para a gestão de imagem desses meios.
A dimensão e a variedade de conteúdos e de utilizadores exige uma atenção permanente. Em alguns meios de comunicação social existe uma pessoa especializada para interagir com as redes sociais.Curiosamente esta situação até tem lugar em empresas onde a actividade principal é "concorrente" das redes sociais.
Outras empresas recorrem a agencias especializadas nesta área.

A nível interno, muitos órgãos de comunicação social também estabeleceram regras sobre o relacionamento dos seus empregados com as redes sociais.
Por se tratar, muitas vezes, de considerações pessoais, os jornalistas correm o risco de terem uma exposição elevada. Mais arriscado ainda: uma posição alinhada.
Vários especialistas têm chamado a atenção para estes riscos mas as advertências têm pouco eco.
Em particular nos EUA muitas empresas de media por serem também produtoras de conteúdos e procurando zelar pela sua imagem (associando a imagem da pessoa à imagem da instituição onde trabalha) e pela garantia de imparcialidade, avançaram com regras que limitam a expressão dos seus funcionários. Designadamente jornalistas.
São muitos os órgãos de comunicação social que já criaram essas regras e outros penalizaram alguns colaboradores por conteúdo colocado nas redes sociais. Não são decisões isentas de polémica.

Em Portugal há uma ausência quase total com esta situação. A excepção é a RTP onde o (então) Director de Informação, José Alberto de Carvalho, em Novembro de 2009, divulgou “linhas de orientação” que apelavam ao “bom senso” dos jornalistas quando manifestam as suas opiniões nas redes sociais. A regra é: “Nunca escrever nada online que não possa dizer numa peça da RTP".
As orientações de José Alberto de Carvalho:

1) Nada do que fazemos no Twitter, Facebook ou Blogues (seja em posts originais ou em comentários a posts de outrem) deve colocar em causa a imparcialidade que nos é devida e reconhecida enquanto jornalista.
2) Os jornalistas da RTP devem abster-se de escrever, "twitar" ou "postar" qualquer elemento - incluindo vídeos, fotos ou som - que possa ser entendido como demonstrando preconceito político, racista, sexual, religioso ou outro. Essa percepção pode diminuir a nossa credibilidade jornalística. Devem igualmente abster-se de qualquer comportamento que possa ser entendido como antiético, não-profissional ou que, por alguma razão, levante interrogações sobre a credibilidade e seriedade do seu trabalho.
3) Ter em conta que aquilo que cada jornalista escreve, ou os grupos e "amigos" a que se associa, podem ser utilizados para beliscar a sua credibilidade profissional. Seguindo a recomendação do "NY Times", por exemplo, os jornalistas - deverão deixar em branco a secção de perfil de Facebook ou outros equivalentes, sobre as preferências políticas dos utilizadores.
4) Uma regra base deve ser "Nunca escrever nada online que não possa dizer numa peça da RTP".
5) Ter particular atenção aos "amigos" friends do Facebook e ponderar que também através deste dado, se pode inferir sobre a imparcialidade ou não de um jornalista sobre determinadas áreas.
6) Enunciar, de forma clara, no Facebook e/ou nos blogues pessoais que as opiniões expressas são de natureza estritamente pessoal e não representam nem comprometem a RTP.
7) Meditar sobre o facto 140 caracteres de um twit poderem ser entendidos de forma mais deficiente (e geralmente é isso que acontece!) do que um texto de várias páginas, o que dificulta a exacta explicação daquilo que cada um pretende verdadeiramente dizer.
8) Não publicar no Twitter ou em qualquer plataforma electrónica documentos ou factos que possam indicar tratamento preferencial por parte de alguma fonte ou indiciem posição discriminatória sobre alguém ou alguma entidade.
9) Ter presente que todos os dados eventualmente relevantes para fins jornalísticos devem ser colocados à consideração da estrutura editorial da RTP, empresa de media para a qual trabalham.


Ver ainda:
- BBC:Social Networking, Microblogs and other Third Party Websites: Personal Use
- Reuters: Reporting From the Internet And Using Social Media
- AP social media guidelines
- The Guardian:Journalist blogging and commenting guidelines
-
The ABC of social media use
- Los Angels Times: social media guidelienes
- Canadian Ass. Journalists:Guidelines For Personal Activity Online
- Social Media policies
-Vadim Lavrusik: 10 ways journalists can use Facebook