Sustentabilidade económica

Do ponto de vista económico, a afirmação dos meios online (de certa forma os meios digitais, tendo em conta as multiplataformas) têm ainda um longo caminho a percorrer.
Questiona-se de forma permanente qual o modelo de negócio. O retorno deve assentar na subscrição de conteúdos, na venda de publicidade ou serviços, na venda de conteúdos para plataformas de distribuição, em sistemas mistos...? São muitas as perguntas e nenhuma tem uma resposta segura.

Como é igualmente redutor assumir o sucesso de um modelo num país ou de um player como sendo aplicável noutro contexto.

O boom gerado com a bolha tecnológica na última década do século passado provocou grandes prejuízos em algumas empresas, falências e o fim de um mito.
A partir desta experiência, as tomadas de decisão foram mais cautelosas e a industria dos media foi apostando no online de modo gradual.

Em Portugal poucos são os meios de comunicação social com presença online que apresentam resultados positivos nesta plataforma. Além da crise e da queda da publicidade (um retrocesso de, pelo menos uma década) as agências de meios despertaram tarde para a relevância das plataformas digitais.

Foi a partir de 2004/2005 que os meios online começaram a obter um crescimento significativo na distribuição do bolo publicitário. Em 2005 teve um crescimento de 30%, em 2006 o crescimento foi de 62% e em 2007 foi de 80%.

Em 2011 os meios presentes na internet tiveram 5.4% do total do investimento em publicidade em órgãos de comunicação social. Tiveram 33 milhões dos 617 milhões de euros investidos em publicidade. Até 2005, a percentagem não chegava a 1%.
Em 2011 o valor da publicidade vendida na Internet aproximava-se do conseguido pela Rádio e ultrapassou o valor da publicidade na distribuição de TV por cabo.
Sublinhe-se no entanto que parte significativa deste "bolo" publicitário não vai para os produtores de conteúdos. Uma larga fatia vai para empresas tecnológicas que usam esses conteúdos. Caso dos motores de busca, agregadores e redes sociais.

 

 

Fonte: Omnicom

 

 Os resultados exigem maior maturidade e, essencialmente, proveitos. É consensual que a aposta a industria dos media deve seguir por aqui. No entanto, um passo que se dá abre um horizonte cada vez mais complexo. As tendências apontam para uma grande diversidade de perspectivas o que dificulta uma interpretação sustentada.

Uma das possibilidades é procurar sustentação financeira através das plataformas digitais.
No entanto, segundo um estudo do Reuters Institute é muito reduzida a disponibilidade dos utilizadores para pagarem conteúdos. Apenas 5% dos consumidores de noticias através de computadores estão disponíveis para acederem a conteúdos informativos. Nos utilizadores de telemóveis/smartphones que acedem a informação o valor sobe para 12% e os que utilizam tablets, a disponibilidade para pagar fica nos 16%.
Por países, na sondagem efectuada, é revelado que 4% dos utilizadores no Reino Unido pagaram para ter acesso a conteúdos digitais, 9% nos EUA, 8% em França, 6% na Alemanha e 12% na Dinamarca. São valores muito baixos.

 Como se viu, uma das janelas de oportunidade é o mercado de tablets.
Em Portugal os números são ainda muito baixos apesar de, segundo dados da APCT, o número de assinaturas digitais ter crescido de Janeiro a Junho de 2012 face a igual período de 2011
Segundo noticia do SOL, de 4 de Janeiro de 2013, O Correio da Manhã tinha 53 assinaturas e 15 “exemplares” vendidos por cada edição. A plataforma para Ipad foi lançada em Setembro de 2011. A revista Sábado tinha 845 assinaturas e obteve 202 vendas na edição de Setembro.
O Expresso tem 5.441 assinaturas (teve uma campanha de ofertas para fidelizar leitores).
A revista Visão vendeu 2.096 números em Novembro.
O Sol vende em média 250 números por cada edição semanal. (nos primeiros meses foi gratuito, a partir de 2012 passou a ser pago).
Nos semanários, o Expresso destacou-se por ter 5.055 assinaturas digitais, mais 2.865 em termos homólogos, enquanto nos diários, evidenciam-se o Público com um aumento de 71% (passou para 1885), o Diário de Notícias com uma subida de 213% (passou para 272), o Jornal de Notícias que avançou 166% (teve 173), o Jornal de Negócios que cresceu 31,67% (mais 760), o Diário Económico que aumentou 60% (mais 48), ao contrário do i que recuou 66% (menos 687 assinaturas).

A procura deste mercado de plataformas digitais não tem um modelo.
Em Julho de 2010 o Times e o Sunday Times passaram a ser pagos. Todo o conteúdo. As empresas de Murdoch tiveram uma quebra de tráfego de 90% mas a News Corp, afirma que aumentou em 50% as receitas. O Times tem uma subscrição de 45 mil exemplares e os utilizares passam em média, por dia, 42 minutos a ler a edição digital.
Para evitar esta queda no tráfego o New York Times optou por um sistema misto. Parte do conteúdo é aberto e privilegia a promoção de notícias nas redes sociais. Esta opção permitiu manter a audiência na plataforma digital e ganhar 660 mil subscritores. De certa forma, tentam garantir receitas através de publicidade e subscrição de conteúdos que oferecem uma mais-valia. Em 2012, a receita obtida através das vendas superou as da publicidade.
Quem aposta apenas no retorno através da publicidade corre o risco de ficar muito dependente de um mercado profundamente competitivo, embora em alguns casos a receita de publicidade já crresponda a igual valor do mesmo meio em formato impresso.

Um outro estudo do Reuters Institute revela igualmente a grande dificuldade de novas empresas de produção noticiosa em formato digital em se afirmarem num mercado muito competitivo e onde o peso das "marcas" é muito forte. Veja-se o exemplo do mercado norte-americano de revistas. Mais de metade têm também uma versão digital cujo tráfego regista forte subida, quase o dobro em 2012 em comparação com o ano anterior, embora não ultrapasse os 3% da audiência das edições impressas.

 

Ver:
Migração digital dos jornais ainda não é sustentável (DE)
O "cenário negro" do ciberjornalismo (AF)
Investimento publicitário na Internet ultrapassará jornais diários em 2013 (Negocios)