Usabilidade

São complexas e controversas as regras de usabilidade. Fazer um produto editorial para um público muito alargado é ainda mais difícil.
Há, no entanto, algumas regras que são consensuais e universais.
Uma delas tem a ver com o tempo de espera. O tempo que demora a abrir uma página. Se há problemas na ligação ao servidor, se a página demora a abrir, se dá erro... dificilmente o utilizador regressa.

O “peso”
Neste sentido, o “peso”  de uma página é um elemento essencial para a produção de conteúdos.
A regra é a página que o utilizador pretende ver não demorar mais de 3 a 5 segundos a aparecer. Passado este tempo, a grande maioria dos utilizadores, “vai embora”. Fecha a janela ou regressa à página anterior.
O mesmo sucede quando se tenta abrir um conteúdo multimédia. Deve ser o mais rápido possível. Uma galeria de fotos, um “flash”, um vídeo e até um simples artigo com várias imagens, não podem ter um “peso” muito grande. Por vezes, há a preocupação de tentar colocar muitas imagens ou fazer um vídeo detalhado e com um formato onde as imagens não perdem muita qualidade. O propósito pode ser relevante mas, igualmente, constitui um risco de “matar” a história. De ser vista por muito menos gente.
Há vários processos para ultrapassar esta dificuldade.
Uma é produzir conteúdos em função da capacidade de acesso do utilizador. Disponibilizar o mesmo conteúdo em várias versões. A mais leve tem menos qualidade, menos resolução. Ao utilizador é dada a possibilidade de escolher. Se quer ver com mais qualidade pode ter de esperar mais uns segundos.
Outra possibilidade é criar várias unidades com o mesmo conteúdo. Em vez de um vídeo, produzem-se dois vídeos, correspondendo cada um deles a um tema e são apresentados de forma diferente e, em alguns casos, com destaque separado ao longo de um artigo.
O exemplo de uma entrevista: foram gravados 20 minutos. Destes, após a edição  e montagem final, aproveitam-se 14 minutos. É muito tempo. Se há uma declaração importante que está perto do final da entrevista, o utilizador é “obrigado” a esperar mais de um dezena de minutos para ver a única parte que lhe interessa. Raramente isto sucede. Por outro lado, 14 minutos de vídeo é um ficheiro muito pesado.
Fazer mais do que um vídeo,  referentes às partes mais importantes da entrevista facilita a navegação, acede-se mais rapidamente aos ficheiros e podem ser destacados ao longo do artigo, de acordo com o tema que está a ser desenvolvido. Por último, deve-se disponibilizar todo o conteúdo, num único ficheiro, para quem tiver interesse em ver os 14 minutos da entrevista.
Este processo pode ser utilizado também em foto-reportagens.   Conteúdo pode ser agregado em temas e através de links dar a oportunidade ao utilizador de escolher o que pretende ver.
Aliás, o mesmo procedimento é aconselhável quando existe apenas texto. Em vez de um “lençol” é preferível segmentar o conteúdo, destacando o mais relevante.
Por último, em qualquer circunstância, o mais indicado é escolher uma resolução o mais baixa possível sem afectar grandemente a qualidade das imagens ou dos sons.

Formatos:
Por  último, tenha em conta o formato que vai escolher para apresentar  conteúdo multimédia. 
Poucos estão dispostos a fazer download de um programa que permite ver/ouvir o ficheiro. 
O mais indicado é optar por formatos em versões recentes e que são triviais nos principais sistemas operativos. De qualquer forma, teste sempre as páginas nos principais “browsers” (windows, firefox e safari) e nas várias versões.
Se não tiver alternativa, se tiver de optar por um formato pouco usual, coloque a referência do programa que é necessário e o link para se fazer o download. 
Em alguns casos é ainda necessário explicar o que o utilizador deve fazer para interagir com o conteúdo.

Navegação:
É muito importante saber estruturar um site. Qual a componente mais relevante para estar na página principal e que temas podem ser organizados em secções. 
Esta organização deve ser clara, evitar dúvidas ou sobreposições e obedecer a uma raciocínio lógico. Maior deve ser o cuidado quando se criam sub-secções.
Definida a arquitectura do site, deve haver a preocupação de criar um “menu” que, preferencialmente numa palavra, sintetize o conteúdo de cada uma das secções. 
O menu principal deve estar sempre visível ou, pelo menos,  permitir ao utilizador regressar ao conteúdo anterior ou à página principal.
O processo de navegação é idêntico em todo o site.
Habitualmente os sites têm duas ou mais colunas. A prática corrente é uma das colunas ser ocupada com conteúdos dinâmicos – que estão frequentemente a ser actualizados – e outra coluna com conteúdos “estáticos”. Esta mesma estrutura deve ser mantida em todas as páginas.
A uniformização atinge também os signos que servem de referência à navegação. Um signo deve ter a mesma função ou significado em todas as páginas. 
A linguagem da internet já adoptou alguns signos. A sua utilização é aconselhável para evitar mal-entendidos.

Todos os sites devem ter um “mapa”, a estrutura, com os respectivos links, para ajudar a aceder a um determinado conteúdo.
Por último: se pretende criar um site para uma audiência que não é versada em Internet, adopte uma linguagem simples e acessível. 
Por outro lado, parta do principio que muitos dos seus utilizadores têm um conhecimento básico e que precisam de uma explicação para interagirem. Não parta do pressuposto que ele conhece os procedimentos para realizar uma acção que exige alguma complexidade.

Invisuais:
São muitas as pessoas com dificuldades de visão. Total ou parcial.
Quando da concepção de sites, páginas ou outro tipo de conteúdos, deve-se ter em conta esta situação. Em muitos casos é relativamente simples e eficaz. 
Um exemplo, é evitar um tamanho de letra pequeno. Há páginas que permitem ao utilizador escolher o formato de letra. Se esta opção não for possível, escolha sempre um tamanho de letra que seja de leitura fácil.
Outra dificuldade é o recurso a imagens. Os sistemas usados por invisuais permitem transformar o texto em áudio. Esta funcionalidade não é possível quando das imagens.
Para contornar esta dificuldade, uma das possibilidade é inserir um “alt” na foto. Se o editor de conteúdos não tem esta funcionalidade, pode-se recorrer ao html e no código da imagem acrescentar  alt=“....” . O texto deve corresponder à descrição da foto.
O sistema utilizado pelos invisuais permite transformar em áudio o conteúdo do “alt”.
Outra indicação é evitar o recurso à cor para diferenciar conteúdos ou processos de navegação e a componentes que utilizam texto em movimento.
As funcionalidade de navegação apresentadas através de recursos gráficos constituem também uma dificuldade. Devem ser sempre acompanhadas de um equivalente textual.

Ver ainda:

- Writing for the Web

- Let Users Control Font Size