Podcast

Sabe o que é mais difícil para fazer um podcats? O tema. O que tem para contar aos outros, um conteúdo interessante que cative a atenção e de modo continuado.
Um podcast é uma narrativa com vários “capítulos” mas cada parte vive de forma autónoma. Pode ou não estar interligado com os outros episódios. 
O modo mais popular é ser num formato áudio, publicado em páginas tipo blog e com regularidade fixa.  Outro ponto comum é o processo de subscrição através de feeds que notifica cada “assinante” de que foi produzido um novo conteúdo. O utilizador, se estiver motivado, “descarrega” o ficheiro para um computador ou um leitor MP3 e ouve o conteúdo quando e onde quiser.
A produção do podcats pode ter uma regularidade fixa, diária, semanal, mensal... ou ser completamente aleatória. Convém manter o ritmo para que a audiência ganhe o hábito de ouvir o seu podcast.

Do ponto de vista técnico é estritamente necessário um microfone, um computador e ligação à internet.
O microfone pode ser incorporado no computador mas, se quer fazer algo  mais profissional, adquira um microfone com ligação “usb” ao computador. Entre 40 a 60 euros consegue-se um microfone de qualidade razoável. Convém que seja um microfone dinâmico e direccional caso seja uma única pessoa a fazer a locução.
Faça testes em relação ao posicionamento do microfone para evitar ruídos provocados pela sua respiração. Uma esponja (“bola de vento”),  ajuda a evitar este problema.
Não é obrigatório, mas consegue ouvir com mais detalhe se usar auscultadores e alguns têm um microfone incorporado já com qualidade razoável.

Para editar os sons deve recorrer a um programa de edição.
Por exemplo, o “Audacity”  dá para uma produção de boa qualidade, tem versões para os sistemas operativos Mac, Windows e Linux. É gratuito e é um dos mais intuitivos editores de som. Não é, assim, de estranhar que o Audacity  seja um dos programas mais populares para edição de podcasts.

http://www.download.com/Audacity/3000-2170_4-10325373.html
Se optar pelo Audacity faça também o download do ficheiro “Lame”. É um encoder que vai usar para gravar o seu programa áudio no formato MP3. Na primeira vez que exportar um som com o formato mp3 o software vai-lhe pedir a localização deste ficheiro.
O único contratempo do Audacity é que não abre ficheiros wma, Antes de fazer a importação converta o ficheiro para wav.
Se quer gravar a sua voz tenha em atenção a porta de entrada do seu computador. Pode ser “mic” ou “line in” e, neste caso, o microfone tem de ter um cabo usb..
Quando está a editar o projecto, o Audacity permite cortar,  mover e inserir faixas sonoras. É ainda possível fazer a modulação do volume de cada uma das faixas e efeitos, dos mais complexos aos mais simples, como por exemplo o “fade in”  ou o “fade out.”.
Se o formato estéreo não for relevante, opte pelo formato mono. O ficheiro fica com metade do “peso”.  
Quando exportar o som num formato mp3 preencha os campos da ficha que vai associada ao ficheiro (título, artista...). Esta informação pode ser útil quando da produção de um podcast.

Outra possibilidade é o Podcaster Producer
http://www.industrialaudiosoftware.com/products/epodcastproducer.html
que está concebido para a criação de podcasts e oferece algumas vantagens como por exemplo a criação de um feed de rss e o envio do ficheiro para um servidor.

Por último precisa apenas de uma ligação à Internet, para aceder a uma plataforma onde  aloja os sons. Há várias possibilidades, algumas delas gratuitas e que até lhe oferecem um processo automático que disponibiliza a informação e o link de cada conteúdo novo que produz, o chamado “feeed de rss”.

Há quem aposte em podcasts que vivem da espontaneidade, que procuram ser um relato de situações vividas num determinado momento pelos seus autores. Por exemplo um diário.
Para isso recorrem a um gravador que é utilizado nas situações mais diversas. Se fizer esta opção tenha em conta um aparelho cujo microfone não seja muito sensível, que evite ruído provocado pelo manuseamento e que seja direccional.  Não é muito cómodo mas a melhor opção é um gravador que tenha a ligação para um microfone externo.

Ultrapassadas as questões técnicas, surge o mais difícil: o tema do podcast.
De banalidades está a Internet a transbordar. Não seja mais um. Vale mais conter a ansiedade e procurar uma ideia que se adapte ao que pretende fazer. 
Antes de avançar reflicta sobre o tema ou os temas, a abordagem mais adequada do que pretende e adaptar o formato às suas capacidades de comunicação.
Pode igualmente ser muito relevante recolher informação para ter algo de novo ou sustentado para dizer.
A partir daqui entra-se na área da imaginação, da criatividade, onde a definição de regras é desajustada. Há, no entanto, alguns elementos base que deve ter em conta:
- Planeamento: é muito pobre fazer um programa apenas com a sua voz. Tente combinar vários elementos sonoros para criar ambiente, expectativa, ou complementar a mensagem que quer transmitir. Em muitos casos são peças de “relojoaria”, muito elaboradas com sons muito curtos ou sujeitos a efeitos. Para se conseguir este objectivo é essencial fazer um planeamento. Ouvir todos os sons, seleccionar o mais relevante, antecipar a melhor forma de os combinar e articular, criando uma sequência lógica, agradável  e dinâmica. Só depois proceda à edição dos sons e de seguida à redacção de textos.
- Cuidado com os problemas de direitos. Passar na íntegra conteúdos de outros, músicas, textos ... sem a devida autorização pode constituir um sério problema.
- A assinatura. Para que seja facilmente identificável o seu podcast  deve ter uma “assinatura”. Não se trata apenas do título ou do nome do autor. É um registo áudio que pode ser uma frase, uma música ou uma “cortina” musical que pode servir de separador ou elemento identificativo para determinadas situações. Por se tratar de uma “assinatura” convém que tenha um longo tempo de vida.
- Antes de começar a gravar leia primeiro os textos em voz alta. Para avaliar se “soa bem ao seu ouvido”,  evitar cacofonias,  substituir palavras que tem dificuldade em dizer,  tornar algumas frases mais curtas e para dar ritmo ao seu discurso.
- Não imite. Descubra o seu estilo e tente melhorar a sua capacidade de comunicação. Faça vários testes, ouça a opinião de outras pessoas e tente sempre fazer o melhor possível. Não custa repetir. Trata-se de um modo de edição muito rápido em que não se perde muito tempo a fazer nova tentativa.
- A linguagem é muito próxima de um programa de rádio: simples, curta e directa. Não se deixe entusiasmar com “floreados” , conversa que não diz nada de novo a não ser alimentar o ego ou porque não sabe o que vai dizer. Um bom improviso é o que se baseia em anotações e numa ideia muito concreta do que se pretende contar. As frases devem ser curtas, com expressões  e pontuação própria de um discurso oral e não escrito. Escreva como se estivesse a falar e, depois,  não leia o texto mas conte-o a alguém. Pode mesmo imaginar que está uma pessoa à sua frente com quem está comunicar. Gesticule e conte-lhe a sua história “olhos nos olhos”.
- O mesmo tom de voz, monocórdico, músicas ou frases longas, uma narrativa cujo eixo central é sujeito a muitas derivações  temporais ou do desenrolar da acção, são elementos que contribuem para a perda de ritmo e não seduzem o ouvinte.
- Evite a sobreposição de sons que se “anulam” mutuamente e, preferencialmente, não recorra à sobreposição de vozes. São situações que provocam “ruído” e desconcentram a atenção do ouvinte.
- Para não correr o risco de perder o conteúdo que está a ser editado, com alguma frequência, grave o projecto que está a realizar.
- Ouça primeiro todo o conteúdo do episódio antes de fazer a “exportação” do ficheiro.
- Alguns podcasts têm associada uma imagem.  Uniformize o tamanho das imagens para dar um sinal de coerência e de mais fácil “arrumação” de cada novo episódio. Uma outra preocupação que deve ter é inserir “tags” que correspondam ao conteúdo do podcast e que essas “palavras-chave” sejam facilmente pesquisáveis nos motores de pesquisa.
- Incentive a interactividade para melhor perceber quem ouve os seus programas. Sugestões e criticas podem ser muito importantes para melhorar a qualidade e o sucesso do seu podcast.


Quando terminar a gravação e salvar o ficheiro áudio há vários formatos possíveis e alguns requisitos técnicos que são relevantes.
O formato mais indicado é o MP3. Comprime o ficheiro, não perde muita qualidade, fica mais “leve” e funciona em todos os sistemas operativos. Ocupa menos espaço no servidor, facilita o envio e o download. Por outro lado, há a garantia de que é compatível com quase todos os leitores de ficheiros áudio.
Se tem problemas com o software ou receia problemas, opte por gravar em formato “.wav” e depois faça a conversão para MP3 ou qualquer outro formato. Em relação ao “sample rate”, em termos gerais,  opte por 44.1KHz e, no mínimo, 16-bit.

Para concluir o processo tem agora de enviar o ficheiro áudio para um servidor. 
Esta é talvez a parte que exige um pouco mais de conhecimentos técnicos mas o processo é repetitivo e não muito complexo.
No caso de ter acesso a um servidor, cria uma pasta e envia para lá o ficheiro, cada um com uma designação diferente.
Se não é o caso, tem de procurar um, site onde ficam alojados os ficheiros. Uma alternativa é o Our Media. http://ourmedia.org/ O alojamento é grátis e tem uma ferramenta, o SpinXpress http://ourmedia.org/tools que ajuda todo o processo de envio e alojamento e cria automaticamente o feed de rss.
 
Outros, como o Audioblog  http://www.audioblog.com/   o Liberated Syndication  http://www.libsyn.com/ , o Glob@t   http://www.globat.como ou o  Poweb http://www.powweb.com oferecem também o alojamento e ferramentas de publicação mas são serviços pagos.

Se o alojamento lhe oferece ferramentas de envio, publicação e criação de fedds de RSS, tem praticamente finalizado todo o processo.
Caso preciso de programas para estes procedimentos, pode fazer pesquisa na Internet e sugiro dois muito simples: O Podcast Generator http://podcastgen.sourceforge.net/demo.php?lang=en ou o Easypodcast http://podcastgen.sourceforge.net/demo.php?lang=pt . Ambos são gratuitos, são multilingues e têm documentação que ajuda a resolver eventuais problemas. 

Caso tenha apenas necessidade de um programa que crie o feed de RSS, pode utilizar o TD Scripts.com  http://www.tdscripts.com/webmaster_utilities/podcast-generator.php

Para se certificar que tudo correu bem, verifique o feed de RSS, faça o download do episódio e ouça-o num leitor de MP3.

A terminar. Divulgue o seu podcast. Se produziu algo de interessante, dê a conhecer o seu trabalho. Em páginas agregadoras de podcasts, em motores de pesquisa, em grupos de discussão de temas relacionados com o seu podcast, em comentários de artigos sobre a mesma temática., por e-mail para os seus amigos....
Ao mesmo tempo, acompanhe a evolução do fenómeno dos podcasts, de novas tendências e ferramentas que o podem ajudar na produção destes conteúdos. Através de uma pesquisa encontra com  facilidade páginas e grupos de discussão sobre este modo de comunicação.
Algumas sugestões:
http://www.lusocast.com/
http://www.podcastingnews.com/
http://www.podfeed.net/
http://www.podcastalley.com/

Uma nota final. Além de podcast há também quem faça videocast. Trata-se de um processo semelhante só que o formato é em vídeo.