Fotografia

nepalUma história pode ser contada apenas por imagens.
Com ou sem legendas.
Frequentemente, é este tipo de conteúdo que tem melhor receptividade porque o formato adequa-se ao comportamento de muitos utilizadores: ver, “coscuvilhar”, e ir navegando.
Sem a necessidade de ler muito texto. Uma aproximação leve, sem grande profundidade. Um formato, directo, simples e que não exija grande esforço de leitura.

É essencial o tema e os materiais adequarem-se a um formato baseado em imagens que permita, por exemplo, contar a história através de uma galeria de fotos.


Produção:

O inicio deste processo é igual ao de uma foto-reportagem para um jornal ou revista.

Antes de mais deve ter uma ideia sobre o modo como vai utilizar as fotos. Para ilustração de uma notícia, para galeria de fotos, slideshow, dossier...
Em função deste propósito pode variar o formato das imagens e os enquadramentos. Em alguns casos é mais adequado fotos com um formato 16/9,  noutras situações é 4/3...
Tire muitas mais fotos do que precisa. 
Recorra a várias perspectivas. Procure o melhor enquadramento do objecto a ser fotografado.
Evite a “pose” de alguém que esteja a ser fotografado. Se for possível, vá falando com essa pessoa para ela relaxar e assumir uma postura natural.
Experimente situações novas, efeitos com a luz.... Seja criativo na abordagem.
Convém utilizar uma câmara digital mas não é necessário uma resolução muito elevada. 
Caso não esteja familiarizado com a máquina que vai usar, faça primeiro algumas experiências e tente manipular o aparelho sem olhar para ele.
É imperdoável não verificar a bateria e o estado do restante material antes de sair para a foto-reportagem.

Se tiver uma máquina fotográfica compacta, ande sempre com ela. Pode ser útil a qualquer momento.

Edição:
Concluído o processo de recolha de imagens e visualizadas as fotos procede-se à edição das que foram seleccionadas. 

Quando da edição das imagens deve-se ter cuidado em não deturpar o contexto da foto nem utilizar imagens que têm direitos de autor.

Há muitas ferramentas de edição de imagem. A mais conhecida é o Photoshop.

Há vários editores on-line de fotografias. A grande maioria são gratuitos e cumprem as funções básicas. Outra particularidade é que funcionam directamente com muitos sites de alojamento e partilha de fotos.
Splashup.com
Fotoflexer  

OnlinemPhototool
Gimp
Snipshot


A edição de uma foto pode passar por muitas alterações.
Cor, luminosidade, seleccionar uma parte, criação de efeitos, tamanho mais apropriado, resolução... são estes alguns dos procedimentos mais vulgares.
“Cropar” a imagem é uma das mais frequentes. Consiste em seleccionar uma parte da imagem. O restante desaparece. 
Pode seleccionar de forma arbitrária ou já com um tamanho determinado (“crop tool” no Photoshop). 
Após esta operação pode ser necessário fazer pequenos ajustes nas cores, saturação, brilho e contraste. Alguns editores têm ajustamentos automáticos, por vezes são úteis mas verifique sempre se o resultado se aproxima do que deseja.
Outra forma de diminuir o “peso” da imagem é reduzir o tamanho. A unidade é pixel e uma foto para ser usada on-line não precisa de ter mais de 1.000 pixels.
Uma foto pequena (150/150 pixels) não deve ter mais de 5 kb.
O inverso, ampliar o tamanho a imagem, não é muito adequado devido à perda de qualidade. Se precisar de o fazer, tente outras opções: criar um fundo da mesma cor, fazer uma montagem com outros elementos gráficos....
As imagens devem ter uma boa definição. Numa situação extraordinária e imprevista – um acidente, um atentado…-, pode ter justificação o uso de uma fotografia de menor qualidade,  mas numa paisagem ou no retrato de uma pessoa não faz sentido. É sinal de amadorismo.  
Se utiliza o Photoshop,  guarde a imagem para web em formato jpeg e quando da escolha da “qualidade” pode optar por uma percentagem inferior a 100% para diminuir o “peso” da imagem. A perda de alguma qualidade não tem grande impacto quando a imagem é vista no computador. O ficheiro fica com menos informação (inclusive sem os dados que estão associados ao ficheiro: data, câmara, abertura...) mas é mais rápido o download por parte do utilizador. 

Numa página com muitas fotos e com alta resolução o utilizador pode ter de esperar alguns segundos para ver o conteúdo. Muita gente não espera mais de 3 a 4 segundos. Fecha o “browser” ou segue para outra página.
A resolução das imagens deve ser de 72 ppi.

Publicação:
Vamos agora para a parte final, a publicação.
Sempre que possível, todas as imagens devem ter um “alt”. É um texto descritivo da imagem, não precisa de ser muito detalhado. Caso a foto tenha direitos é também conveniente referir o autor.  
O “alt” é muito útil para invisuais que usam um sistema que transforma o texto em áudio.


- Destaques
As fotos são um elemento gráfico muito relevante para a área de destaques. Na página principal de um site ou numa secção. Para destacar notícias ou outro tipo de conteúdo.

Destaques da BBC
A escolha destas imagens é muito relevante. Determinam significativamente o interesse do utilizador.
Frequentemente, mais do que um plano geral, funciona um pormenor, um detalhe de uma foto. É mais apelativa se tiver cores intensas. 
Não coloque texto nestas imagens e evite repetir a foto no destaque com a do interior do artigo.

Tenha ainda em conta o contexto em que a foto vai ser utilizada. Seleccione a imagem em função da relação com outros elementos, como por exemplo o título e/ou o lead da notícia na área de destaques.

Um exemplo simples: opte por uma foto onde a pessoa esteja a olhar para a frente, ou para o lado do texto que acompanha a imagem.
Frequentemente recorre-se a imagens de arquivo nestas áreas de destaque. É preciso ter cuidado para não se deturpar a mensagem. Se um líder politico fez a declaração, por exemplo numa acção de rua, não se deve usar uma imagem com ele a falar no Parlamento. Se essa mesma pessoa está a comentar um acontecimento com carga negativa não se deve optar por uma imagem onde esteja a sorrir. São inúmeras as possibilidades e cabe ao editor ter, sempre, em atenção estes elementos.

-Artigos:
destaque de artigo do The Guardian
A ilustração de um artigo é um elemento determinante. 

Páginas de conteúdos informativos devem, sempre, ter este aspecto em consideração.
Uma boa ilustração é uma mais-valia relevante. Quebra o cinzentismo da página, enriquece o conteúdo e é fortemente apelativa.
Várias experiências revelaram sempre que o recurso a uma foto para destacar um conteúdo tem mais sucesso do que, por exemplo, um texto. 
Uma foto intensa, um detalhe que desperte a curiosidade ou emoção... são elementos que propiciam a atenção do utilizador.

Convém uniformizar o tamanho das fotos no interior dos artigos. Há várias regras. Uns preferem ter a foto principal e não colocar mais ilustrações.  É o caso da CNN . 
Outros preferem colocar as fotos do mesmo tamanho e sempre alinhadas à esquerda. A BBC segue a mesma regra mas alinha as fotos à direita. Outros colocam ao alto, como por exemplo a Sky News , o El Pais e o New York Times. 
A coilocação da foto ao alto é uma tendência que está a ser seguida por muitos sites e que tem a ver com a utilização de fotos de maior tamanho. No entanto, são múltiplas as possibilidades. Convém é o estilo ser sempre o mesmo.

Neste tipo de conteúdos, artigos noticiosos, é também frequente recorrer-se a ilustrações que podem ajudar à compreensão do tema. 
Um dos exemplos mais frequentes é o uso de mapas que podem situar o local onde teve lugar o acontecimento que está a ser narrado. O   New York Times recorre a este processo com muita frequência. 
Outra possibilidade é a utilização de gráficos interactivos que permitem ao utilizador escolher o conteúdo que pretende: além do mapa do pais, referências à população, regime politico, situação dos direitos humanos... É o utilizador que escolhe o que quer ver. Por regra, o formato destes conteúdos é em flash.
Sempre que possível use legendas nas fotos.
Em todas as circunstâncias utilize o “alt” com a descrição da foto e a designação do autor.

- Galerias:

A utilização de galerias de imagens é também frequente.
Como complemento de um artigo ou isoladamente.
Podem ser temas simples. A semana em fotos, exemplo da MSN ou a foto do dia do Sapo. 
É um conteúdo fácil de produzir e dá milhares de visualizações por dia.  
Outra possibilidade é a galeria de fotos ser dedicada a um tema mais específico.
Veja-se o exemplo do New York Times que tem uma área multimédia dedicada a galerias de fotos e vídeos.

A página tem um design próprio para  este tipo de conteúdos e permite ver todo o arquivo.  Cada foto tem um pequeno texto descritivo, com links para os conteúdos relacionados ou para artigos com informação mais desenvolvida.
Uma galeria de fotos é um conteúdo fácil e rápido de produzir, desde que se tenha imagens de qualidade.
O ponto de partida é o material que conseguiu. As fotos.
Em função deste material defina a mensagem que pretende transmitir e como vai desenrolar a narrativa. Cronológica, por temas, apostando em contrastes...
Ordene as imagens em função desta narrativa e só depois construa o texto. As legendas não precisam de ser o “eco” das imagens, podem funcionar de modo complementar. 
Última tarefa: uniformize o tamanho das fotos. Alguns editores fazem o redimensionamento automático mas, para não perder a força de um detalhe ou evitar que apareçam barras negras, convém dar um tamanho idêntico às fotos.
Todas os casos referidos anteriormente implicam editores de conteúdos multimédia. Programas de publicação e páginas especialmente concebidas para este efeito.
Quando não existe esta possibilidade, há alternativas acessíveis. Gratuitas e igualmente eficazes.
Uma dessas alternativas é recorrer a sites de alojamento de fotografias.
O Flickr  , Picasa , Sapo ou Olhares disponibilizam a funcionalidade de as fotos serem vistas em galerias. 
É possível copiar o código e inserir a galeria dentro de uma página web. 
Os serviços permitem ainda a descrição de cada uma das fotos.
Deste modo consegue-se ultrapassar a dificuldade de alojar as imagens e de ter uma ferramenta de publicação.

- Slideshow:
Estas galerias podem ainda ser acompanhadas de som e construir uma narrativa mais profunda e interessante.

Veja-se o exemplo da TSF que aposta muito neste formato.
Um software que é muito fácil de usar e que permite a criação destas galerias com som é o Soundslides. Há uma versão “trial” gratuita. 
O Soundslides usa o flash, pode ser visto em quase todos os browsers sem a necessidade de instalação de mais software. 
Quando inicia um projecto tenha em conta o espaço disponível na página onde vai ser colocado o slideshow. Uma pré-definição, “custom”, permite escolher o tamanho adequado. 

Quando edita as imagens, tenha em conta o formato final do slideshow para as proporções estarem correctas e evitar o aparecimento de barras negras. Se editar as imagens em Photoshop, no menu File/File info, os dados que são inseridos são automaticamente usados pelo Soundslides (desde que o ficheiro não seja guardado “for web”). O ficheiro deve ter formato “.jpeg” e não precisa de ter a máxima qualidade. Guarde as fotos numa única pasta.
Evite sons longos. O indicado é dois três minutos. Se for mais, o ficheiro fica pesado, demora mais tempo a aparecer na página e, por outro lado, tem de ter muitas fotos. Caso tenha poucas ilustrações, o slideshow perde dinamismo.
Uma outra recomendação: na parte referente ao “template” escolha a opção “mostrar volume”. É útil para o utilizador poder modelar o volume de som.

O som deve sincronizar com as imagens. Deve haver uma relação entre o que se vê e o que se ouve. Se for necessário faça a edição do som, essencialmente se tiver depoimentos.

Apesar do efeito ser muito parecido com o de um vídeo, a estrutura não é igual. O vídeo aposta na continuidade, numa sequencia. Um slideshow vive de um momento. Uma sucessão de instantâneos.                   
           
Em todos estes exemplos, galerias de fotos e slideshows, há um ponto em comum: o utilizador pode escolher, avançar ou recuar. Outra conceito comum: cada foto é acompanhada de uma legenda. Um texto pequeno que dá algumas referências sobre o local, o objecto da foto...e os créditos, de quem são os direitos de autor da imagem.

Ver ainda:
Your news, your pictures (BBC)

Como utilizar fotos para artigos de viagens)