Dossiers

Para procurar um artigo de um jornal publicado no inicio da década de 90, do século passado, a única alternativa é fazer uma consulta da edição em papel. Terá de se deslocar a uma biblioteca ou a uma hemeroteca.

Com a digitalização dos conteúdos e com a publicação impressa a ser feita também em formato digital, na grande maioria dos jornais portugueses de implantação nacional, a pesquisa desse artigo pode ser feita na Internet. 
Não só encontra artigos de vários órgãos de comunicação social sobre esse acontecimento, como pode ainda consultar referencias em blogs e páginas pessoais e a evolução, até ao presente, da abordagem desse tema.

Os conteúdos passaram a ter um tempo de vida muito maior, não se esgotando na edição do dia.
Por outro lado, podem ser actualizados e relacionados com conteúdos mais recentes.

Podem-se dar inúmeros exemplos. 
Um caso simples: escreveu há algum tempo a biografia de um escritor que, hoje, ganhou um prémio. A notícia pode ser publicada acompanhada da biografia. 
Republica a biografia actualizando a informação do prémio ou copia os dados anteriores e faz um outro artigo com o dado novo. 
O mesmo escritor  vai publicar dentro de dias um livro. Na altura, pode relacionar a biografia e os artigos que foram escritos sobre o prémio que entretanto recebeu e as criticas a outras obras anteriormente publicadas.

Desde que estejam actualizados, estes conteúdos podem ser aproveitados e constituem pistas para os leitores interessados em aprofundar o conhecimento sobre esse escritor. A estes dados pode juntar vídeos, fotos, comentários e, na verdade, ter matéria prima para produzir um conteúdo mais desenvolvido, o que se designa um “dossier”.

Ao fim de algum tempo e com o enorme volume de conteúdos que são produzidos, o problema maior é encontrar esses trabalhos que já foram publicados e que podem ser reaproveitados.

Para evitar perda de tempo e tirar partido dos conteúdos que foram entretanto produzidos, o melhor processo é recorrer às “tags”. As palavras-chave que funcionam como uma etiqueta, que ajudam a definir que tipo de conteúdo se trata.
Quase todos os editores de conteúdos têm um campo dedicado às “tags”. 
Recorrendo ao exemplo anterior, se inseriu o nome do escritor nos artigos que foram redigidos e nas fotos e vídeos que publicou sobre ele, com uma única palavra e numa só acção consegue reunir e agregar todo esse conteúdo. Imagine o resultado numa publicação com vários anos de conteúdos digitalizados e sobre alguém que frequentemente é notícia. Imagine também o tempo que se poupa comparando com uma pesquisa normal, já para não referir a consulta das edições em papel.

No entanto, nem sempre o mais adequado é apresentar este conteúdo sem ser sujeito a uma edição. 
São muitos “links”, aparecem como uma listagem, não é apelativo nem orienta o leitor para o elemento central da notícia. 
Por outro lado, frequentemente, o leitor espera que este trabalho de recolha e de edição de informação já esteja feito e não tenha de ser ele a “digerir” a informação.

Em vez de uma listagem de links, convém fazer um texto introdutório, no formato de notícia – do mais para o menos relevante -  e ao longo do texto, são inseridas referencias que permitem linkar para os conteúdos relacionados.  
Outra possibilidade é segmentar a informação por temas ou registos temporais, cada um com uma síntese e associados os respectivos conteúdos.  Em termos práticos, faz-se uma síntese geral do tema abordado e criam-se vários blocos, de acordo com os subtemas. Cada uma destas áreas tem também uma síntese. 
A escolha é do utilizador.
Outra possibilidade é o que vulgarmente designamos criar um mini-site.
Uma página com um menu de navegação correspondente aos vários temas que vão ser desenvolvidos. 
As opções são maiores, a informação está melhor estruturada e, consequentemente, as capacidades de tirar partido dos conteúdos também são superiores.



Dossier sobre os 50 anos da Barbie
http://noticias.sapo.pt/especial/barbie/index.html

A “arquitectura” do dossier deve ter uma estrutura coerente, fácil de entender e com um menú  que ajude os leitores a orientarem as suas acções, sem se “perderem”.
 
Quando se abre a janela do dossier, o utilizador deve ter logo uma imagem clara  do tema e das várias perspectivas em que é feita a abordagem, através do menú ou da disposição gráfica dos elementos mais relevantes.

Preferencialmente remeta para o utilizador a capacidade de escolha. A opção de navegar dentro da mesma janela, num mesmo conteúdo (galeria de fotos, uma “timeline”,  gráficos ...), de poder optar entre conteúdos alusivos ao mesmo tema mas em formatos diferentes (vídeos, fotos...) e sugestões com links para conteúdos mais desenvolvidos.
Se for relevante e tiver meios de controlar o processo de edição, aposte ainda em conteúdos produzidos pela comunidade.



Para a criação destes dossiers um dos elementos a ter em conta é o tipo de conteúdos. Texto e só texto não produz interesse. O formato mais interessante é o multimédia. Conjugar elementos gráficos – fotos, vídeos, sons, gráficos – com pouco texto e uma narrativa simples e directa.

Um recurso frequente é o “flash” que consegue uma integração de todos estes suportes. Há trabalhos sensacionais feitos em “flash” mas a produção demora algum tempo e exige conhecimentos aprofundados para o domínio da ferramenta de edição.

Mais simples mas igualmente funcional pode ser uma galeria de imagens..

Em todas as circunstâncias estes dossiers devem ter, de forma bem visível, a data em que foram publicados. Para evitar equívocos caso, mais tarde, sejam consultados ou reaproveitados. 
Outro dado conveniente é terem um url (Uniform Resource Locator, em português Localizador de Recursos Universal) próprio, para mais fácil identificação. 
O endereço deve ser o mais autónomo possível. Não estar associado a secções do site.
Um exemplo: http://autarquicas2009.sapo.pt/ , o url não está associado a qualquer secção. 
Daqui a algum tempo, quando da transformação do site este conteúdo não desaparece, como sucedeu, por exemplo na TSF, em que foram mudados os endereços das várias secções. 
Por outro lado, para mais simples identificação, se alguém tentar o endereço apenas com a referência “autárquicas”, é redireccionado para o url definitivo.
O mesmo se passou quando das eleições autárquicas de 2005 http://autarquicas2005.sapo.pt/ .
A estrutura é simples e o conteúdo está sempre disponível.
Por fim, para que seja facilitado o caminho a quem procura este tipo de conteúdos, é útil criar uma secção de “especiais”, http://dossiers.publico.clix.pt/ ordenados por tema, data ou formato.


A metodologia para produção destes conteúdos mais desenvolvidos é igual ao de uma grande reportagem para rádio, televisão ou imprensa.

Recolha de informação.
A partir dos dados obtidos define a perspectiva mais adequada para a edição e qual a estrutura que vai usar, tentando tirar partido dos vários materiais: texto, fotos, gráficos, sons, vídeos... 
Não se deixe influenciar por formatos habituais em outros suportes, tipo imprensa. 
Seja criativo em relação ao modo como vai produzir e combinar todos esses elementos.

Quando da edição destes materiais tenha em conta que, a qualquer momento, pode ter necessidade de fazer uma actualização. Deste modo, opte por ferramentas e formatos de edição que permitem alterar o conteúdo sem prejudicar o restante material editado.

Por último, tente adaptar a dimensão do dossier e a sua actualização aos recursos humanos que estão encarregues de o produzir e manter. 
Um dos erros mais frequentes é desenvolver dossiers muito ambiciosos que, depois, ficam com partes por preencher – porque não houve tempo ou recursos -   ou então, passado muito pouco tempo, estão desactualizados e dão uma péssima imagem, de falta de profissionalismo da entidade que o publicou.